RESISTÊNCIA BACTERIANA: PERIGO CRESCENTE

Os antibióticos são substâncias que têm como objetivo impedir que as bactérias prejudiciais à nossa saúde se desenvolvam em nosso organismo, atuando de forma a impedir a sua multiplicação, matando-as ou enfraquecendo-as.

Desde a sua descoberta no século passado, quer como consequência do uso indevido de antibióticos, quer como consequência do uso exagerado destes na agricultura e na pecuária, tem-se verificado um aumento da resistência das bactérias a estes medicamentos, surgindo o conceito de resistência bacteriana aos antibióticos.

Antibiótico é o termo usado quando nos referirmos a uma substância capaz de destruir ou impedir a multiplicação das bactérias, sem implicar em toxicidade significativa para o organismo humano. Servem exclusivamente para combater infeções bacterianas. Nas infeções virais não têm qualquer eficácia, não devendo ser usados como primeira opção em casos de gripes, constipações, tosse, febre ou dores de cabeça ou musculares.

Uma vez impossibilitada a destruição das bactérias, o tratamento de infeções bacterianas poderá se agravar nos próximos anos, havendo uma previsão para 2050 que afirma que a resistência bacteriana aos antibióticos poderá vir a ser responsável por cerca de dez milhões de mortes anuais.

Doenças tratadas erroneamente com antibióticos e pessoas que não seguem a dosagem e o tempo certo de tratamento estão contribuindo para a formação de bactérias cada vez mais fortes e fatais. Essas bactérias, resistentes a antibióticos, são difíceis de tratar, além de serem responsáveis pela morte de várias pessoas todos os anos. Resistência bacteriana a antibióticos, refere-se às bactérias que possuem a capacidade de sobreviver mesmo quando são utilizados antibióticos certos para determinada doença. Elas possuem estratégias que permitem sua multiplicação mesmo quando submetidas a dosagens altas dessas substâncias. A resistência ocorre, principalmente, em virtude do surgimento de mutações que conferem às bactérias proteção contra os antibióticos. Essas mutações ocorrem ao acaso, entretanto, com o uso incorreto de medicamentos, elas acontecem com maior frequência, ou seja, o processo torna-se acelerado.

GRUPO SAUDE

Na água, nos solos, nos alimentos, nos objetos do quotidiano e até mesmo no nosso organismo, existem microrganismos invisíveis a olho nu – bactérias, vírus e fungos. Apesar de alguns serem benéficos para a nossa saúde (como por exemplo, as bactérias presentes na flora intestinal, que nos ajudam a digerir alguns alimentos que ingerimos, como as fibras), parte destes organismos são prejudiciais e podem dar origem a infeções de gravidade variável.

Uma das principais consequências do uso incorreto de antibióticos é o desenvolvimento de resistências. Pode haver falhas nos tratamentos por:

  • Descumprimento da duração do tratamento
  • Descumprimento da posologia (dose e frequência)
  • Utilização sem necessidade.

Em consequência, algumas das bactérias conseguem modificar-se originando novas estirpes de bactérias que sobrevivem à ação dos antibióticos, aparecendo assim as resistências.

Atualmente, assiste-se ao uso crescente de antibióticos em plantas e animais. Na pecuária, estes são administrados com o objetivo de prevenir e tratar infeções nos animais, assim como para promover o seu rápido crescimento. Estando a nossa saúde relacionada com o que comemos, o consumo de carnes e vegetais tratados com antibióticos influencia-nos diretamente por três processos distintos:

  • Desenvolvimento de bactérias resistentes no animal que, pelo consumo, alcançam o nosso organismo;
  • Absorção, por ingestão de alimentos contaminados, de parte dos antibióticos utilizados na agricultura e pecuária, que desencadeiam resistência bacteriana no ser humano;
  • Quando utilizados em plantas e animais, parte dos antibióticos tende a perder-se na atmosfera e a depositar-se nos solos ou na água, acabando por chegar indiretamente ao ser humano.

O crescente aparecimento de bactérias multirresistentes levou a Organização Mundial de Saúde (OMS) a considerar a resistência bacteriana como um problema crítico de saúde pública global. Além de constituir um enorme encargo financeiro para os serviços de saúde, a resistência a antibióticos traduz-se em repercussões negativas para a saúde em geral, no sentido em que, não havendo forma eficaz de combater as superbactérias, as infeções tendem a ser mais graves e eventualmente fatais.

As bactérias possuem diversos mecanismos de resistência aos antibióticos. Os principais são: alteração na permeabilidade da membrana, alteração no local de atuação do antibiótico, bombeamento ativo do antibiótico para fora da bactéria e a produção de enzimas que destroem os antibióticos. Esse último mecanismo destaca-se como sendo a estratégia mais frequentemente observada em bactérias. Existem ainda outras estratégias interessantes realizadas pelas bactérias que não estão ligadas às mudanças genéticas. A resistência acontece porque alguns indivíduos são capazes de liberar enzimas que interagem com o antibiótico e desencadeiam sua destruição apenas em certos momentos. Aquelas que liberam as enzimas no momento adequado eram selecionadas, fazendo com que a infecção permanecesse.

Para que os antibióticos não percam a eficácia, o primeiro passo é adotar comportamentos no sentido de prevenir as infecções:

  • Lavar corretamente as mãos
  • Minimizar o contato com pessoas doentes
  • Lavar os alimentos corretamente
  • Cozinhar bem os alimentos a altas temperaturas antes de os consumir
  • Usar diferentes utensílios aquando do manuseamento de carnes e de vegetais, para evitar transferência de bactérias entre alimentos

Para fazer uso dos antibióticos, existem outros comportamentos que são muito importantes:

  • Não se automedicar;
  • Sentir-se à vontade para questionar o médico sobre a verdadeira necessidade de tomar antibiótico;
  • Respeitar a prescrição médica, isto é, tomar o medicamento de acordo com o horário e a duração definida pelo médico;
  • Não suspender o uso do antibiótico antes do período indicado pelo médico;
  • Não combinar outros medicamentos com o antibiótico sem aconselhamento médico;
  • Não ingerir alimentos que possam interferir com os antibióticos (como as bebidas alcoólicas, entre outros)

Como as modificações nas bactérias são aceleradas pelo uso incorreto de antibióticos, esses medicamentos são vendidos no Brasil apenas com receita médica, que deve apresentar a data de validade impressa. A Anvisa estabeleceu ainda que, em casos de uso prolongado, um paciente não pode comprar o medicamento suficiente para todo o tratamento, devendo retornar mensalmente para que uma nova dose seja comprada.

Essas medidas, apesar de serem consideradas pouco práticas por alguns pacientes, é uma forma de inibir o uso incorreto. É necessário criar o hábito na população de comprar medicamentos apenas com receita e sempre cumprir o que é recomendado pelo médico.

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