ENTENDA O LÚPUS

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O Lúpus é uma doença autoimune, em que o sistema imunológico, se volta contra si próprio e o ataca, provocando inflamação e alteração da função do órgão afetado. A inflamação pode provocar dor, calor, vermelhidão (ou rubor) e inchaço (ou edema).

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Não existe causa conhecida de Lúpus e não existe cura para esta doença. O Lúpus é uma doença crônica (para toda a vida), ainda que existam fases de remissão. Um período de remissão é um período de inatividade da doença. Alguns casos podem tornar-se permanentemente inativos, ou seja, em remissão total. A remissão total é rara, mas a remissão parcial (período limitado) é frequente. Quase todos os doentes entram em remissão em algum momento da sua vida, sobretudo quando a doença é bem tratada e se cumprem as medidas preventivas adequadas. A duração dos períodos de remissão é variável (semanas, meses, anos).

A doença pode afetar muitos órgãos e sistemas diferentes (daí a denominação sistêmica), em especial a pele e articulações, e podem existir formas muito diferentes da doença (os sintomas variam de doente para doente e até, no mesmo doente, de período para período).

O Lúpus tem um amplo leque de gravidade, podendo ter complicações muito graves, que exigem atenção urgente. No entanto, as terapêuticas atuais permitem dar à maior parte dos doentes, uma boa qualidade de vida.

GRUPO SAUDE

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Existem três tipos de lúpus:

Lúpus discoide

A inflamação é sempre limitada à pele. Este tipo pode ser identificado a partir do surgimento de lesões cutâneas avermelhadas que costumam aparecer no rosto, na nuca ou também no couro cabeludo.

Lúpus sistêmico

A inflamação ocorre no organismo, comprometendo vários órgãos ou sistemas do corpo não sendo restrito à pele. Algumas pessoas com lúpus discoide podem evoluir para a forma sistêmica. Os sintomas causados por este tipo da doença dependem do local da inflamação como rins, coração, pulmões e até ao sangue, além das lesões cutâneas e às articulações.

Lúpus induzido por drogas

Algumas drogas ou medicamentos podem provocar uma inflamação temporária enquanto do seu uso e provocar sintomas que são muito parecidos com os do lúpus sistêmico. As manifestações desaparecem com o cessar do uso.

O lúpus ocorre quando o sistema imunológico ataca e destrói alguns tecidos saudáveis do corpo. Não se sabe exatamente o causa esse comportamento anormal, mas pesquisas indicam que a doença seja resultado de uma combinação de fatores, como genética e meio ambiente.

O sexo feminino é oito a dez vezes mais afetado (em relação ao sexo masculino), sobretudo em idades férteis. As idades mais frequentes para o início do Lúpus são entre 18 e 55 anos, mas pode iniciar-se em qualquer idade (crianças ou idosos). Os familiares de doentes com doenças autoimunes (Lúpus, Tireoidite, Artrite Reumatoide, Diabetes tipo 1, Síndrome de Sjögren, Síndrome Antifosfolípido, etc) têm maior probabilidade ou risco de serem afetados por estas doenças, ou seja, existe uma predisposição familiar, mas o Lúpus não é considerada uma doença hereditária no sentido clássico do conceito.

Pessoas com pré-disposição ao lúpus podem desenvolver a doença ao entrar em contato com algum elemento do meio ambiente capaz de estimular o sistema imunológico a agir de forma errada. O que a ciência ainda não sabe é quais são todos esses componentes. Os pesquisadores, no entanto, têm alguns palpites:

  • Luz solar: a exposição à luz do sol pode iniciar ou agravar uma inflamação preexistente a desenvolver lúpus
  • Medicamentos: lúpus também pode estar relacionado ao uso de determinados antibióticos, medicamentos usados para controlar convulsões e também para pressão alta. Pessoas com sintomas parecidos com os do lúpus geralmente param de apresentar quando interrompem o uso.

Sintomas do Lúpus

Os sintomas do lúpus podem surgir de repente ou se desenvolver lentamente. Eles também podem ser moderados ou graves, temporários ou permanentes. A maioria dos pacientes com lúpus apresenta sintomas moderados, que surgem esporadicamente, em crises, nas quais os sintomas se agravam por um tempo e depois desaparecem. Os sintomas podem também variar de acordo com as partes do seu corpo que forem afetadas pelo lúpus. Os sinais mais comuns são:

  • Fadiga
  • Febre
  • Dor nas articulações
  • Rigidez muscular e inchaços
  • Rash cutâneo – vermelhidão na face em forma de “borboleta” sobre as bochechas e a ponta do nariz. Afeta cerca de metade das pessoas com lúpus. O rash piora com a luz do sol e também pode ser generalizado
  • Lesões na pele que surgem ou pioram quando expostas ao sol
  • Dificuldade para respirar
  • Dor no peito ao inspirar profundamente
  • Sensibilidade à luz do sol
  • Dor de cabeça, confusão mental e perda de memória
  • Linfonodos aumentados
  • Queda de cabelo
  • Feridas na boca
  • Desconforto geral, ansiedade, mal-estar.

Outros sintomas de lúpus dependem de qual é a parte do corpo afetada:

  • Cérebro e sistema nervoso: cefaleia, dormência, formigamento, convulsões, problemas de visão, alterações de personalidade
  • Trato digestivo: dor abdominal, náuseas e vômito
  • Coração: ritmo cardíaco anormal (arritmia)
  • Pulmão: tosse com sangue e dificuldade para respirar
  • Pele: coloração irregular da pele, dedos que mudam de cor com o frio (fenômeno de Raynaud).

Alguns pacientes têm apenas sintomas de pele. Esse tipo é chamado de lúpus discoide.

É difícil realizar o diagnóstico para lúpus, pois os sintomas variam muito de pessoa para pessoa, mudam com o passar de tempo, sobrepõem-se uns aos outros e confundem-se com os sintomas de outras doenças.

O médico realizará um exame físico e auscultará seu tórax com um estetoscópio. Um som anormal chamado atrito pericárdico ou atrito pleural poderá ser escutado. Um exame do sistema nervoso também pode ser realizado.

Os exames usados para diagnosticar o lúpus incluem:

  • Exames de anticorpos, incluindo teste de anticorpos antinucleares
  • Hemograma completo
  • Radiografia do tórax
  • Biópsia renal
  • Exame de urina.

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Tratamento de Lúpus

Existe tratamento mas não há cura definitiva para o lúpus, assim como outas doenças como diabetes e pressão alta. O principal objetivo do tratamento é controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida das pessoas com a doença. O uso de imunossupressores implica portanto uma vigilância médica mais apertada que o habitual. No entanto, em determinadas situações, estes medicamentos são imprescindíveis e podem salvar a vida (ou um órgão) ao doente.

A doença branda pode ser tratada com:

  • Anti-inflamatórios não esteroides para artrite e pleurisia
  • Protetor solar para as lesões de pele
  • Corticoide tópico para pequenas lesões cutâneas
  • Uma droga antimalárica (hidroxicloroquina) e corticoides de baixa dosagem para os sintomas de pele e artrite.

Sintomas graves ou que acarretem risco de morte (como a anemia hemolítica, amplo envolvimento cardíaco ou pulmonar, doença renal ou envolvimento do sistema nervoso central) frequentemente necessitam de um tratamento mais agressivo com especialistas.

O tratamento para lúpus mais grave inclui:

  • Alta dosagem de corticoides ou medicamentos para diminuir a resposta do sistema imunológico do corpo (imunossupressores)
  • Drogas citotóxicas (drogas que bloqueiam o crescimento celular) quando não houver melhora com corticoides ou quando os sintomas piorarem depois de interromper o uso. Esses medicamentos têm efeitos colaterais graves, por isso o médico deverá monitorar o uso com muita frequência.

Tratamentos não farmacológicos

Um adequado equilíbrio entre exercício e repouso é imprescindível para um bom controle da doença. Durante os surtos, o repouso (físico e intelectual) deve ser privilegiado.

Deve ser assegurado um bom repouso/sono noturno e períodos de repouso/sono/relaxamento durante o dia. Embora não seja habitualmente necessário abdicar das suas atividades habituais (à exceção de atividades muito cansativas), por vezes é necessário diminuir o número de horas de trabalho e é aconselhável pedir maior ajuda à família nas tarefas domésticas. A privação de sono sistemática pode precipitar um surto.

Durante os períodos de remissão é importante manter algum tipo de atividade física adequada (durante os surtos também, ainda que muito mais suave), para evitar a rigidez articular, a osteoporose, a fraqueza muscular e a fadiga (e para melhorar a função do sistema imune e o bem estar mental). A fisioterapia e o exercício aeróbio adequado (sobretudo em água) ajudam a relaxar e a manter a função dos músculos e articulações. A fisioterapia (com o uso do calor e frio) também pode diminuir a inflamação.

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A dieta pode ser um fator determinante sobretudo quando existe atingimento do rim. Nessas situações é importante diminuir o conteúdo de proteínas (presentes na carne, peixe, clara de ovo, leite e derivados) e de sal (sobretudo quando existe pressão arterial elevada e/ou retenção de líquidos).

Os doentes tratados por longos períodos com corticóides também devem ter uma atenção especial em relação ao cálcio e à vitamina D, isto é, devem privilegiar alimentos com leite ou derivados. O resto dos doentes com Lúpus devem seguir as normas dietéticas que existem para a população em geral, nomeadamente uma dieta variada, equilibrada e saudável com abundantes vegetais, poucas gorduras, etc.

Mais que qualquer medicamento, evitar a exposição aos raios ultravioleta (solares ou artificiais) é de extrema importância (tanto direta como indiretamente). A exposição solar pode precipitar surtos na pele mas também pode precipitar surtos nos outros órgãos (como o rim, os pulmões, etc).

O uso de protetores solares (com fatores de proteção acima de 30) em todas as atividades ao ar livre, sobretudo durante o verão, mas mesmo durante o inverno nas áreas expostas é fundamental. Evitar as horas de maior exposição solar durante o verão e o uso de vestuário adequado (mangas compridas mesmo no verão, chapéus de abas largas, roupa de cores claras, roupas com proteção UV, etc), também pode ser crucial.

Evitar o stress tem também um papel primordial no controle dos sintomas do Lúpus. É importante ajustar o horário laboral de modo a ser o menos “stressante” possível. Nos períodos da vida em que o stress é impossível de evitar devem tomar cuidados especiais como repousar mais e melhor e adquirir hábitos de relaxamento.

É muito importante o acompanhamento médico no caso do Lupus ou qualquer outra doença autoimune. Esse acompanhamento garantirá uma melhor qualidade de vida e manterá a doença sob controle.

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