ENTENDA A GAGUEIRA

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A gagueira é uma interrupção na fluência verbal caracterizada por repetições ou prolongamentos, audíveis ou não, de sons e sílabas. Essas vacilações na fala não são prontamente controláveis e podem ser acompanhadas por outros movimentos e por emoções de natureza negativa, tais como medo, embaraço ou irritação. Para ser mais exato, a gagueira é um sintoma, não uma doença; mas o termo gagueira normalmente é usado para se referir a ambos, desordem e sintoma.

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A gagueira do desenvolvimento surge antes da puberdade, geralmente entre dois e cinco anos de idade, sem dano cerebral aparente ou outra causa conhecida (idiopática). É importante fazer a distinção entre esta gagueira do desenvolvimento persistente da gagueira adquirida. Esta última, também chamada de gagueira neurogênica, ocorre após um dano cerebral bem definido, ocasionado por um derrame, uma hemorragia intracerebral ou um traumatismo craniano. É um fenômeno raro que tem sido observado após lesões em uma grande variedade de áreas cerebrais.

A gagueira do desenvolvimento persistente é um distúrbio muito frequente; aproximadamente 60 milhões de pessoas em todo o mundo (no Brasil, 2 milhões), possuem o problema. A taxa de prevalência é similar em todas as classes sociais. Em muitos casos, a gagueira prejudica severamente a capacidade de o indivíduo se comunicar, levando a consequências socioeconômicas devastadoras. Contudo, há também muitos gagos que, a despeito de seu distúrbio, tornam-se pessoas bem-sucedidas e até famosas. Por exemplo, Winston Churchill tinha de ensaiar todos os seus discursos públicos até a perfeição e ainda ensaiava respostas para possíveis perguntas e críticas, a fim de evitar a gagueira. Charles Darwin também gaguejava; curiosamente, seu avô, Erasmus Darwin, sofria do mesmo problema, reforçando a suspeita de que a gagueira se concentra em determinadas famílias e provavelmente possui uma base genética.

Causas

Atualmente, a gagueira é vista pela ciência como um distúrbio causado por diversos fatores, como:

GRUPO SAUDE

Genética: Existem comprovações cientificas da presença de genes envolvidos no surgimento e manutenção da gagueira, por isso, é comum ter mais de um membro da mesma família com a condição

Condições médicas: A gagueira pode ocorrer devido a um AVC, lesões intracranianas (também conhecidos como traumatismo cranioencefálicos (TCE) pré, peri ou pós-natal ou outros problemas como febre reumática por exemplo.

Fator social: Desde que haja pré-disposição orgânica, ocorre quando a criança está inserida num ambiente familiar ou escolar facilitador ao desencadeamento da gagueira. Quando um destes ambientes é muito agitado, ou é composto por pessoas que falam muito rápido, ou usam com uma complexidade muito maior do que aquela adequada para a criança, a gagueira tem mais chances de aparecer

Fator psicológico: Está comprovado que problemas emocionais não causam gagueira. Ao contrário, a vivência de uma fala gaguejada pode trazer alguns dificultadores para a pessoa. Fatores emocionais podem ser considerados agravantes, mas não são cientificamente considerados como causadores da gagueira. Algumas crianças que apresentam alguns dos fatores de risco para a gagueira mas que ainda não se manifestam na fala, ou seja, já tem predisposição para tal, ao passarem por alguma situação de maior impacto emocional, poderão iniciar a gaguejar.

Cerca de 5% das crianças poderão gaguejar até a adolescência. Desses, metade são meninos, metade meninas. No entanto, a taxa de remissão espontânea nas meninas é maior. Dessa forma, os meninos são mais sujeitos a desenvolverem a gagueira crônica.

Caso a gagueira persista por mais de 8 semanas, é necessário procurar um fonoaudiólogo especializado na área. Em geral, médicos e pediatras não estão atualizados com os descobrimentos da ciência sobre a cronificação da gagueira. E muitas vezes cometem o grande erro de pedir para esperar. O “espera que passa” é o pior diagnóstico que os pais podem receber sobre a fala de sua criança. Sim, a chance de alcançar a remissão espontaneamente é grande – cerca de 80% – mas as outras crianças que correm risco de cronificação estarão perdendo um tempo precioso de reabilitação. Uma criança que gagueja não necessitará ser um adulto que gagueja.

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Entre em contato com o fonoaudiólogo especializado em fluência caso a gagueira:

  • Durar mais de oito semanas
  • Ocorrer acompanhada de outros problemas de fala e linguagem
  • Quando a quantidade de rupturas ou a sua intensidade aumentarem ao longo do tempo, mesmo durante o período de oito semanas
  • Ocorrer com visível dificuldade para falar
  • Afetar a capacidade da criança de se comunicar
  • Causar dificuldades emocionais, como ansiedade ou estresse
  • Começar quando a pessoa já é adulta.

O especialista apto a diagnosticar gagueira é o fonoaudiólogo. Estar preparado para a consulta pode facilitar o diagnóstico e otimizar o tempo. Ainda não existe um padrão mundialmente utilizado para o diagnóstico da gagueira. Contudo, normalmente o diagnóstico é realizado por meio da contagem do número de rupturas na fala em um intervalo de tempo, do levantamento dos tipos de disfluências que estão na fala, análise do ritmo e da naturalidade da fala e observação da tensão e movimentos associados. Os diagnósticos de gagueira deveriam iniciar imediatamente após o padrão de oito meses de não-fluências.

Existem diversos tratamentos disponíveis contra a gagueira. A natureza dos tratamentos deverá ser compatível com a idade da pessoa e com os objetivos de comunicação específicos de cada um, especialmente se a pessoa que gagueja for adulta, entre outros fatores. Caso você ou sua criança gaguejem, é importante procurar um fonoaudiólogo a fim de ver o melhor tratamento disponível.

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